Como não dizer nada
Há momentos na vida de um homem em que é preciso respirar fundo e calar a boca. Se nada pode ser dito para alterar uma situação, melhor não gastar saliva.
Se o seu chefe não vai com a sua cara e quer demitir você, adianta dizer alguma coisa? Não, não adianta.
E VAI AQUI UM PRIMEIRO ESCLARECIMENTO: EU NÃO ESTOU DESEMPREGADO.
Mudei de função e agora estou brincando de outra coisa. Mas isso é problema meu.
Se você tem um compromisso, adianta pedir ao sequestrador-relâmpago _que pegou você na porta de casa e planeja um tour pelos bancos da cidade_ para voltar depois das 20h? Não, não adianta.
E VAI AQUI UM SEGUNDO ESCLARECIMENTO: EU NÃO FUI SEQUESTRADO.
Meu irmão foi e, graças a Deus, passa bem. Mas isso é problema da minha família.
Se a menina dos olhinhos brilhantes diz que acha melhor terminar tudo que existe entre você e ela, adianta discordar? Não, não adianta.
E VAI AQUI UM TERCEIRO ESCLARECIMENTO: EU ESTOU SOLTEIRO.
Terminamos, ela e eu, e não sei que rumos a minha vida e este blog irão tomar. E isso é um problema seu.
Quando digo "seu", quero dizer que, como leitor, você precisará decidir se quer continuar a ler o Cafajeste.
Essa decisão, no entanto, passa por outras duas questões:
1) Existem leitores desse site?
2) O site continuará a existir?
Quem quiser voltar ao primeiro conselho do Cafajeste descobrirá que ele foi criado por causa dela. É, ela, a menina, a dos olhos de farol, acho que você me entende.
Pois vamos às respostas:
1) Sim, existem leitores, muitos deles (e delas) formados por amigos da menininha do
Moshi Moshi. Há também os meus amigos e familiares, há os desavisados, e até mesmo, acreditem ou não, leitores de países estranhos. Não são muitos, nenhum recorde, mas existe quem perca aqui o seu tempo. E, é claro, caso não haja mais ninguém, sempre haverá a Marininha, leitora constante e desconhecida. E, a quem interessar possa, de acordo com comentário no conselho anterior, a Marininha tem namorado.
2) Sim, insanamente o site continuará a existir. E, talvez, possa agora cumprir seu verdadeiro papel de falar sobre a alma masculina, buscando o ideal do bonzinho em parte. Não que eu não achasse divertido escrever conselhos apaixonados, mas não se pode ser perfeito em tudo.
Voltamos, pois, ao problema inicial: você, meu caro, continuará a visitar este endereço?
"Não, eu só gostava de acompanhar o romance em ambos os blogs", dirão alguns.
"Não, eu tenho mais o que fazer", afirmarão outros tantos.
"Sim, eu quero saber de tudo sobre ele", diria a minha mãe, caso tivesse alguma idéia do que é internet.
"Sim, vou continuar a visitar o Moshi Moshi. E só ele", sentenciarão os mais radicais.
Saiba, caro leitor, que este Cafajeste tem hoje o coração apertado. Saiba que terminar, gostando ou não, é sempre ruim e dolorido. Saiba que escrevo isso tendo a menininha a poucos passos e a uma distância enorme. Saiba que nos falamos todos os dias, que nos tratamos bem, que sorrimos, mas que estamos cá e lá, cada um no seu canto. E, sobre isso, já foi escrito o conselho "Como saber quando parar", absolutamente oportuno.
Saiba, caro amigo, que este blog não vai se tornar um espaço depressivo.
Saiba ainda que me basta uma visita ocasional, mesmo porque este site não é dos mais atualizados. Saiba que, para quem vier, haverá sempre um café, uns biscoitinhos e muito pão-de-queijo _coisa de mineiro, mesmo dos que vivem em São Paulo.
Saiba que basta um, um só leitor, um só interesse. E cá estará o Cafajeste, não menos romântico e afetuoso, não menos preparado para dizer verdades, carinhosas ou não, na sua cara. Aqui, neste mesmo espaço, logo embaixo da gravatinha borboleta, vai estar o mesmo Cafajeste, tentando seguir os seus próprios conselhos.
Ficar, voltar, sumir são decisões suas. E existe algo que eu possa dizer para mudar isso? Não, nada adianta. É uma opção sua, e espero que você seja bem feliz com ela.
Conselho de hoje:
Melhor sozinho. Até porque a solidão é uma velha amiga.