Como escrever um e-mail
Hoje não há muito o que explicar. É lindo e simples.
Leia e aprenda com o e-mail que recebi da menina dos olhinhos brilhantes:
"não sei a que horas você verá este e-mail
nem se você terá tempo para respondê-lo
ou se, de tão cansado, já não consiga respondê-lo do jeito que você acha certo
(não quero responder de um jeito mecânico _você disse, e eu concordo)
então deixa ser esse e-mail assim
só ele
sem resposta mesmo
até porque eu já fui pra casa
fui
mas deixei um pedacinho aqui contigo
é um beijo
que eu guardei aqui dentro
você não sentiu quando clicou no e-mail?
ele voou e pousou no teu rosto
bem devagarzinho
um beijo de boa-noite, de bons sonhos,
de bom-dia para amanhã
:)
mil beijos, na verdade
eu"
No mais, sem mais. Tudo que é perfeito é assim: esconde as palavras da boca.
Conselho de hoje:
Deus fará absurdos contanto que a vida seja assim.
terça-feira, 21 de janeiro de 2003
quarta-feira, 8 de janeiro de 2003
Como fazer o amor dar certo
Como fazer o amor dar certo é talvez uma das mais antigas perguntas dos que se unem não para eliminar problemas bancários, mas para adquirir problemas sentimentais.
Vai aqui uma verdade: antes ter problemas sentimentais, já que isso implica ter sentimentos, o que não deixa de ser um bom começo.
Só quem tem amor pode padecer com problemas relacionados a ele. Então, se você tem esse tipo de problema, alegre-se. Você faz parte da fatia privilegiada da população que tem um amor. Você pode acordar, olhar-se no espelho todos os dia e dizer: eu tenho um amor! Pode parecer pouco, seu relacionamento pode não estar em uma ótima fase, mas acredite: melhor com amor do que sem ele.
Após o último conselho, que a muitos pareceu pessimista, vão alguns esclarecimentos:
1) Não, eu não terminei um namoro;
2) Não, eu não estou desiludido com a vida, muito pelo contrário;
3) Sim, vou muito bem, obrigado.
Após esses breves esclarecimentos, vamos ao conselho de como fazer o amor dar certo. Não é difícil.
Foi o que me disse outro dia a dona Olga, 83 anos, casada com um saudável senhor de 85.
"Vou te dizer qual o segredo do amor eterno", disse ela.
Abri os ouvidos. Ela continuou.
"Você só pense em satisfazer as vontades dela. Ela só pense em satisfazer as suas vontades. Assim, não fica ninguém sem amor, nem vontade sem pensamento."

Assim. Simples. Com toda a experiência de dona Olga, que aos 22 anos teve uma paralisia facial e, um a um, viu todos os seus dentes serem arrancados.
Com toda a experiência de dona Olga, que não anda mais e tira uma fotografia com todas as pessoas _eu disse TODAS as pessoas_ que a visitam. Fotos reunidas em um álbum que ela mostra às visitas: os familiares, o médico, o moço da farmácia que foi lá aplicar uma injeção, a dentista que atende em casa, o entregador de flores, o moleque de recados, enfim, todos.
Pois é isso, meu caro, o conselho de hoje é o de dona Olga, que faz borboletinhas de crochê e as transforma em ímãs de geladeira. Cada um que a visita deixa uma foto e leva uma borboletinha.
Assim é o mundo: em cada um deixamos uma lembrança; de cada um levamos um pouco de vida.
Conselho de hoje:
Não há nada a lamentar. Ficou tudo no lugar.
Como fazer o amor dar certo é talvez uma das mais antigas perguntas dos que se unem não para eliminar problemas bancários, mas para adquirir problemas sentimentais.
Vai aqui uma verdade: antes ter problemas sentimentais, já que isso implica ter sentimentos, o que não deixa de ser um bom começo.
Só quem tem amor pode padecer com problemas relacionados a ele. Então, se você tem esse tipo de problema, alegre-se. Você faz parte da fatia privilegiada da população que tem um amor. Você pode acordar, olhar-se no espelho todos os dia e dizer: eu tenho um amor! Pode parecer pouco, seu relacionamento pode não estar em uma ótima fase, mas acredite: melhor com amor do que sem ele.
Após o último conselho, que a muitos pareceu pessimista, vão alguns esclarecimentos:
1) Não, eu não terminei um namoro;
2) Não, eu não estou desiludido com a vida, muito pelo contrário;
3) Sim, vou muito bem, obrigado.
Após esses breves esclarecimentos, vamos ao conselho de como fazer o amor dar certo. Não é difícil.
Foi o que me disse outro dia a dona Olga, 83 anos, casada com um saudável senhor de 85.
"Vou te dizer qual o segredo do amor eterno", disse ela.
Abri os ouvidos. Ela continuou.
"Você só pense em satisfazer as vontades dela. Ela só pense em satisfazer as suas vontades. Assim, não fica ninguém sem amor, nem vontade sem pensamento."

Assim. Simples. Com toda a experiência de dona Olga, que aos 22 anos teve uma paralisia facial e, um a um, viu todos os seus dentes serem arrancados.
Com toda a experiência de dona Olga, que não anda mais e tira uma fotografia com todas as pessoas _eu disse TODAS as pessoas_ que a visitam. Fotos reunidas em um álbum que ela mostra às visitas: os familiares, o médico, o moço da farmácia que foi lá aplicar uma injeção, a dentista que atende em casa, o entregador de flores, o moleque de recados, enfim, todos.
Pois é isso, meu caro, o conselho de hoje é o de dona Olga, que faz borboletinhas de crochê e as transforma em ímãs de geladeira. Cada um que a visita deixa uma foto e leva uma borboletinha.
Assim é o mundo: em cada um deixamos uma lembrança; de cada um levamos um pouco de vida.
Conselho de hoje:
Não há nada a lamentar. Ficou tudo no lugar.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2003
Como é possível amar e o amor não dar certo
Quem já amou sabe: amor não garante nada. Não garante carinho, nem atenção, nem felicidade. O amor é lindo, poético, gostoso e surpreendente; mas não é nada além de amor.
E como "nada além"? Precisa de algo mais? Precisa.
Descubro, caro amigo, que mesmo quem ama pode fazer sofrer. É possível amar com tal zelo e sempre e tanto, que o objeto de amor termina incomodado. É possível amar de um jeito tanto, que, desse tanto amar, pode nascer o desamor.
Por que há sempre quem pense que é pouco cuidado quando merece todo os carinhos? E também há quem pense que não errou quando errou feio, por que será? Há o que vê o erro onde ele não existe, nunca houve e nem haveria porque o amor é maior do que tudo. E há ainda o que se deixa possuir pelo medo de errar e, assim, erra, todos os dias, em cada frase, em cada respiração, de forma que, quanto mais ama, mais erra.
O amor, meu caro, é castigado pela rotina. O amor passa, então, a materializar-se em tão poucas oportunidades, que sofrem os corações dos amantes. Apertados de paixão, passam a ferir um ao outro com a certeza de que a culpa é alheia.
E sabe do que mais? A culpa é dos dois, dos dois que se amam e nunca podem, nunca têm tempo. Do detalhe que não é detalhe e passa despercebido nascem todos os problemas que põem fim ao amor.
Por isso, aniversário esquecido, incômodo escondido, e-mail não respondido, beijo não correspondido, tudo isso faz o amor morrer todos os dias. E, na pressa de amar, no amar depressa, os que se amam sequer percebem o que se passa.
É sabido que do amor mais quente ou possessivo ao mais generoso ou desprendido, há uma enorme gradação de sentimentos e ritmos cardíacos.
Se primeiro ama-se porque é novidade, depois, justamente porque não é e continua a surpreender. Ama-se porque é notório e porque ninguém sabe. Ama-se com medo, com raiva e dúvida, e é possível amar com ternura pedinte ou pedante. Amar com abuso, sem jeito e com pressa, amar dolorido, calado, no escuro, amar até no banco dos réus!
Por fim, amar e simplesmente amar, porque talvez toda a graça esteja na arte pela arte, no amor pelo amor, e o resto que se exploda.
Vai-se ver, lá está a mesma essência! Porque por mais que se ame assim ou assado, ao avesso ou de ponta cabeça, ama-se _e é isso que importa.
Mas o amor, seja ele de uma ou de outra espécie, precisa ser cultivado feito plantinha frágil. Como rosas e margaridas, como violetas e amarílis, o amor é uma florzinha que teima em viver, mas que, descuidada, morre. Amor com flor é rima tosca, mas não passa da mais pura das verdades.
O amor, só com ele é possível aproveitar a vida. Ele vem com gotículas de sofrimento, feito orvalho na flor, mas que se há de fazer?
A resposta é simples: amar. Amar mais e com plenitude. Como isso é possível é pergunta e resposta diária. O que vale, no final, é sempre o amor e não os probleminhas que ele traz.
"Existirmos _a que será que se destina?"
"Apenas a matéria vida era tão fina."
Conselho de hoje:
Não valham dramáticos defeitos. Mas o que está depois.
Quem já amou sabe: amor não garante nada. Não garante carinho, nem atenção, nem felicidade. O amor é lindo, poético, gostoso e surpreendente; mas não é nada além de amor.
E como "nada além"? Precisa de algo mais? Precisa.
Descubro, caro amigo, que mesmo quem ama pode fazer sofrer. É possível amar com tal zelo e sempre e tanto, que o objeto de amor termina incomodado. É possível amar de um jeito tanto, que, desse tanto amar, pode nascer o desamor.
Por que há sempre quem pense que é pouco cuidado quando merece todo os carinhos? E também há quem pense que não errou quando errou feio, por que será? Há o que vê o erro onde ele não existe, nunca houve e nem haveria porque o amor é maior do que tudo. E há ainda o que se deixa possuir pelo medo de errar e, assim, erra, todos os dias, em cada frase, em cada respiração, de forma que, quanto mais ama, mais erra.
O amor, meu caro, é castigado pela rotina. O amor passa, então, a materializar-se em tão poucas oportunidades, que sofrem os corações dos amantes. Apertados de paixão, passam a ferir um ao outro com a certeza de que a culpa é alheia.
E sabe do que mais? A culpa é dos dois, dos dois que se amam e nunca podem, nunca têm tempo. Do detalhe que não é detalhe e passa despercebido nascem todos os problemas que põem fim ao amor.
Por isso, aniversário esquecido, incômodo escondido, e-mail não respondido, beijo não correspondido, tudo isso faz o amor morrer todos os dias. E, na pressa de amar, no amar depressa, os que se amam sequer percebem o que se passa.
É sabido que do amor mais quente ou possessivo ao mais generoso ou desprendido, há uma enorme gradação de sentimentos e ritmos cardíacos.
Se primeiro ama-se porque é novidade, depois, justamente porque não é e continua a surpreender. Ama-se porque é notório e porque ninguém sabe. Ama-se com medo, com raiva e dúvida, e é possível amar com ternura pedinte ou pedante. Amar com abuso, sem jeito e com pressa, amar dolorido, calado, no escuro, amar até no banco dos réus!
Por fim, amar e simplesmente amar, porque talvez toda a graça esteja na arte pela arte, no amor pelo amor, e o resto que se exploda.
Vai-se ver, lá está a mesma essência! Porque por mais que se ame assim ou assado, ao avesso ou de ponta cabeça, ama-se _e é isso que importa.
Mas o amor, seja ele de uma ou de outra espécie, precisa ser cultivado feito plantinha frágil. Como rosas e margaridas, como violetas e amarílis, o amor é uma florzinha que teima em viver, mas que, descuidada, morre. Amor com flor é rima tosca, mas não passa da mais pura das verdades.
O amor, só com ele é possível aproveitar a vida. Ele vem com gotículas de sofrimento, feito orvalho na flor, mas que se há de fazer?
A resposta é simples: amar. Amar mais e com plenitude. Como isso é possível é pergunta e resposta diária. O que vale, no final, é sempre o amor e não os probleminhas que ele traz.
"Existirmos _a que será que se destina?"
"Apenas a matéria vida era tão fina."
Conselho de hoje:
Não valham dramáticos defeitos. Mas o que está depois.